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terça-feira, 1 de janeiro de 2013

Solenidade de Santa Maria Mãe de Deus

Louvados sejam Nosso Senhor Jesus Cristo e Sua Mãe, a Virgem Maria Santíssima!
Para sempre sejam louvados.


Neste dia dedicado à Virgem Maria, sob o título e dogma de Mãe de Deus, meditemos um pouco sobre a
exclamação de Santa Isabel ao receber a visita de Maria:
"Naqueles dias, Maria se levantou e foi às pressas às montanhas, a uma cidade de Judá.Entrou em casa de Zacarias e saudou Isabel. Ora, apenas Isabel ouviu a saudação de Maria, a criança estremeceu no seu seio; e Isabel ficou cheia do Espírito Santo.E exclamou em alta voz: Bendita és tu entre as mulheres e bendito é o fruto do teu ventre. Donde me vem esta honra de vir a mim a mãe de meu Senhor?Pois assim que a voz de tua saudação chegou aos meus ouvidos, a criança estremeceu de alegria no meu seio. Bem-aventurada és tu que creste, pois se hão de cumprir as coisas que da parte do Senhor te foram ditas!"(Evangelho segundo São Lucas, Capítulo 1, dos versículos 39 ao 45)


Por este pequeno e rico texto da Sagrada Escritura, depreendemos que é válido chamar de Mãe de Deus a Virgem de Nazaré, e ainda, nos deparamos com o mais antigo registro deste ato. Pouco após a Anunciação do Anjo, da Encarnação do Verbo de Deus no ventre de Maria (cf. Lc 1, 31-35), ela se dirige à casa de sua prima, Isabel, a fim de servi-la, ajuda-la durante sua gestação. Desde este episódio já vai se tornando evidente o caráter distinto da Virgem, que não se acomoda nem se sente superior por ter recebido uma revelação do Céu, nem por carregar no ventre o Filho do Altíssimo. Põe-se a serviço, não se intimida pela distância nem se limita por sua condição de grávida. A Palavra de Deus enfatiza que Maria foi às pressas, - indicando sua disposição em servir -  às montanhas, - Maria não se importou com a distância, com as limitações, com as dificuldades que se apresentavam no caminho. Ela foi.

Santa Isabel apenas ouve a voz de sua prima, e profere uma das mais conhecidas frases da Bíblia, repetida até hoje nas nossas Ave-Marias: Bendita és tu entre as mulheres e bendito é o fruto do teu ventre.
Podemos, entretanto, olhar com mais cuidado a cena, e encontraremos muito mais do que se mostra aos nossos olhos à primeira vista:
-João Batista, no ventre de Isabel, sente a presença de Maria e de Jesus, e se manifesta como pode, isto é, "estremecendo", mexendo. Poderia ser apenas uma coincidência? Bem, o evangelista narra anteriormente que João, segundo o anúncio do Anjo a Zacarias, seria cheio do Espírito Santo. Mas observe atentamente o que o Anjo diz: "e desde o ventre de sua mãe será cheio do Espírito Santo;" (Lc 1, 15)
Coincidência? Não. João reconhece a presença de Maria e do Menino Jesus por força e ação do Espírito Santo. Sua percepção é desperta pela voz de Nossa Senhora.
-Isabel fica cheia do Espírito Santo, após ouvir a saudação de Maria. Ora, se Maria fosse apenas um receptáculo de Cristo, apenas uma barriga para carrega-lo, uma qualquer, como muitos dizem, não haveria razão alguma para o Espírito agir por meio dela, e despertar em Isabel e em João Batista o conhecimento da Boa Nova - a Encarnação do Verbo de Deus. Um anjo poderia, assim como havia comunicado a Zacarias da gravidez de sua esposa, anunciar a Isabel que sua prima estava gerando em seu ventre o Messias. No entanto, quis usar da própria Maria para comunicar - sem revelar por suas próprias palavras - esta boa notícia. Maria apenas saúda, e o Espírito enche Isabel e João, e os dá a conhecer a Encarnação do Verbo.


-Isabel chama Maria de "a mãe do meu Senhor". Esta saudação revela o conhecimento - dado pelo Espírito Santo - por parte de Isabel, da divindade da criança que estava no ventre de Maria. Isabel chama o fruto do ventre de sua prima de "meu Senhor" - ou seja, Isabel não separou aí a humanidade da divindade de Cristo. Reconhece que o ser humano que sua prima gesta é o seu Senhor, seu Deus. Não pode ela estar enganada, pois quem a deu a conhecer tais coisas, repito, foi o Espírito Santo.
-A visita da "mãe do meu Senhor" é uma honra para Isabel. Esta pequena constatação nos mostra que toda honra, toda virtude que Maria possui é por causa dos méritos de Cristo, e é isto que a Igreja prega até hoje. Tudo o que Maria é, é por causa de Cristo. Ela é a Mãe do Senhor. A Mãe de Deus. Vemos assim que não pode ser uma qualquer quem é mãe de Deus.
Isabel era já de idade, esposa de um sacerdote, e ainda descendente de Aarão (cf. Lc 1, 5). Tinha com toda certeza muito mais importância social do que Maria, uma jovenzinha pobre, noiva de um carpinteiro. Qual honra a visita desta pobrezinha podia ter? Mais uma vez, reforço, o Espírito Santo mostra e impele Isabel a dizer: a honra está em ser esta moça, a Mãe de Deus.
Além disso, ela termina proclamando Maria como "Bem-Aventurada", como "Bendita", e reconhece a beatitude de Seu Filho. Chama ainda Maria de fiel, por ter acreditado nas promessas do Senhor. Isabel foi a primeira a fazer o que repetimos até hoje: veneramos e honramos Maria pelo que Ela é. E tudo o que Ela é, sabemos que é por causa de Jesus. Isabel se torna para nós a primeira devota da Virgem Maria.

"Por isto, desde agora, me proclamarão bem-aventurada todas as gerações, porque realizou em mim maravilhas aquele que é poderoso e cujo nome é Santo."
(Evangelho segundo São Lucas, capítulo 1, versículos 48 e 49)
O mesmo Espírito que veio sobre a Virgem para que ela concebesse Jesus, o mesmo Espírito que enche João Batista desde o ventre materno, e que se apodera de Isabel e a faz reconhecer o Filho de Deus sendo gerado em Maria, faz a pobre moça de Nazaré profetizar que todas as gerações a honrarão como bendita, e a proclamar que Deus realizou nela maravilhas. Este mesmo espírito levou a Igreja a reconhece-la como Mãe de Deus  (após  dois Concílios: em 325 o Concílio de Nicéia, e em 381 o de Constantinopla), como forma de cumprimento da profecia da própria Virgem Maria.

Deus nos conceda, pela poderosa intercessão de Maria, um ano abençoado, um ano de graça e de fé.
Louvor a Deus!
Para sempre, amém.

Matheus Silva de Paula.


quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

08 de Dezembro - Imaculada Conceição

“Entrando, o anjo disse-lhe: Ave, cheia de graça, o Senhor é contigo.” (Lucas 1, 28)

imaculada

Em 08 de Dezembro de 1854, o Papa Pio IX em sua Constituição Apostólica Ineffabilis Deus estabeleceu como dogma a Imaculada Conceição (concepção) de Maria, isto é, esclareceu a verdade de fé (portanto de crença obrigatória) de que Nossa Senhora, no momento da sua concepção, foi livrada do pecado original, não por méritos próprios, mas pelos méritos da Paixão, Morte e Ressureição de Cristo antecipados, visto que o ventre que receberia Deus Filho teria que ser livre de toda mácula (pecado).

Pap Pio IX“Em honra da santa e indivisa Trindade, para decoro e ornamento da Virgem Mãe de Deus, para exaltação da fé católica, e para incremento da religião cristã, com a autoridade de Nosso Senhor Jesus Cristo, dos bem-aventurados Apóstolos Pedro e Paulo, e com a nossa, declaramos, pronunciamos e definimos a doutrina que sustenta que a beatíssima Virgem Maria, no primeiro instante de sua conceição, por singular graça e privilégio de Deus onipotente, em vista dos méritos de Jesus Cristo, Salvador do gênero humano, foi preservada imune de toda mancha de pecado original, essa doutrina foi revelada por Deus e, portanto, deve ser sólida e constantemente crida por todos os fiéis.”     (Bula Ineffabilis Deus, Papa Pio IX)

Na bula, o Papa se apóia inicialmente na citação de Gênesis: “Porei ódio entre ti e a mulher, entre a tua descendência e a dela.” (Gênesis 3, 15a) entendendo que seria necessário uma mulher apta a carregar e trazer ao mundo o Filho de Deus, para assim haver a reconciliação entre o homem e Deus. Eva foi a mulher que trouxe o pecado ao homem, Maria trouxe Jesus, a reconciliação e a salvação.

Deus a fez livre de todo o pecado, original, mortal ou venial “És toda bela, ó minha amiga, e não há mancha em ti.” (Cântico dos Cânticos 4, 7) pois esta constituia uma etapa na história da salvação: Deus se faria carne, nascendo como homem, se igualando em tudo, menos no pecado. Para tanto, sua concepção, gestação e nascimento deveriam ser em condições de santidade, de pureza, dada a Sua natureza divina – “Quem fará sair o puro do impuro? Ninguém.” (Jó 4, 14).

Lemos na Carta aos Hebreus:

"Cristo, porém, apareceu como um pontífice dos bens futuros. Entrou no tabernáculo mais excelente e perfeito, não construído por mãos humanas, nem mesmo deste mundo" (Hebreus 9, 12).

Deus, capaz do impossível (cf. Lucas 18, 27), faz o que deseja para que Seus planos se cumpram, mesmo que isso nos pareça infringir suas próprias leis. De fato, sendo Ele dono de toda e qualquer Lei, tem todo o poder e o direito sobre elas. Foi assim com o sol e a lua, os quais fêz parar (cf. Josué 10, 12-13), com as águas que interromperam seu curso natural (cf. Êxodo 14, 21 e 22), com Lázaro, a quem Jesus ressuscitou (cf. João 11, 43 e 41). Assim também, por se tratar de um propósito divino, Maria foi concebida sem pecado, pelos méritos antecipados de Cristo, para que Este pudesse vir ao mundo de um ventre puro. Maria não é uma escolhida. Ela é a escolhida, a mãe de Deus. Como pode ser uma qualquer a mulher preparada e escolhida por Deus para a tarefa mais importante e sublime que uma mulher pode ter? Como poderia estar sujo ou se sujar posteriormente o ventre, a arca, o sacrário que carregou o próprio Deus?

Alguns aspectos do diálogo entre o Anjo e Maria nos indicam o estado de pureza de Nossa Senhora, para que se pudesse realizar a Encarnação:

Anunciação

“Entrando, o anjo disse-lhe: Ave, cheia de graça, o Senhor é contigo.

Ave, uma saudação de excelência dita por um anjo, definitivamente, exprimindo a importância daquela jovem.
Cheia de Graça, plena de graça, completa da graça do Senhor. Sem espaço para o pecado. Mostra que Deus a cumulou por inteira da graça, antes mesmo de ela receber em seu ventre Jesus.
O Senhor é contigo, pois Maria era repleta da graça, portanto, está ausente o pecado. E onde não há pecado, há plenitude de Deus. O Senhor está com ela.


Perturbou-se ela com estas palavras e pôs-se a pensar no que significaria semelhante saudação.
O anjo disse-lhe: Não temas, Maria, pois encontraste graça diante de Deus.

Encontraste graça diante de Deus, pois Maria foi concebida sem pecado, e assim permaneceu durante sua vida, fiel e temente a Deus, e às graças com as quais Ele a cumulou – as graças que Eva havia perdido quando introduziu aos homens o pecado.


Eis que conceberás e darás à luz um filho, e lhe porás o nome de Jesus.
Ele será grande e chamar-se-á Filho do Altíssimo, e o Senhor Deus lhe dará o trono de seu pai Davi; e reinará eternamente na casa de Jacó,
e o seu reino não terá fim.

Conceberás e darás à luz um filho, Jesus,
Filho do Altíssimo, cujo reino náo terá fim,
revelando a maternidade divina. Maria, ao aceitar esta missão, estava ciente de que seu filho era Deus.

 
Maria perguntou ao anjo: Como se fará isso, pois não conheço homem?
Respondeu-lhe o anjo: O Espírito Santo descerá sobre ti, e a força do Altíssimo te envolverá com a sua sombra. Por isso o ente santo que nascer de ti será chamado Filho de Deus.

Não conheço homem, Maria era noiva de José, e mesmo assim não cogitou “conhecer” homem algum. Isto indica que Maria desejava permanecer virgem, e assim o fêz, pois nem a Bíblia ou a Tradição contam que Maria teve filhos após Jesus (são citados nas Escrituras parentes de Jesus, chamados “irmãos”, cujos pais são citados, não havendo como serem filhos de Maria).
O Espírito Santo descerá sobre ti, e a força do
Altíssimo te envolverá com sua sombra,
o Anjo mostra a Maria que a concepção se dará pela união de Deus com sua serva. O Espírito de Deus desce, vai ao encontro de Maria, pois fora preparada pela mesma força que a envolve. A propósito, a sombra de Deus envolvendo Maria só reforça a dignidade que o Senhor conferiu a ela. A sombra indica a união e a proteção, indica assistência.
Para Deus nada é impossível. Até mesmo a gravidez de Isabel, em idade avançada e tida como estéril, vem mostrar que Deus estava trazendo seu filho ao mundo em condições sobrenaturais.


Também Isabel, tua parenta, até ela concebeu um filho na sua velhice; e já está no sexto mês aquela que é tida por estéril,
porque a Deus nenhuma coisa é impossível.
Então disse Maria: Eis aqui a serva do Senhor. Faça-se em mim segundo a tua palavra. E o anjo afastou-se dela.”
  (Lucas 1, 28-38)

bernadete

Cerca de três anos após a proclamação deste dogma, Maria aparece a Bernadete Soubirous, uma pobre, analfabeta e adoentada pastora e criada doméstica, em Lourdes, na França. A Virgem se apresentou como a Imaculada Conceição, fato que aumentou a credibilidade nas aparições, visto que não havia meios de aquela pobre menina ter qualquer conhecimento acerca do dogma tão recentemente aprovado. Não sabia sequer o que isto significava.

 

 

 

Música “Ave, Ó Imaculada” Intérpretes: Arautos do Evangelho

Oh Maria concebida sem pecado,
Rogai por nós que recorremos a Vós!

quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

Advento, a doce esperança de contemplar o Senhor


Vejam-te meus olhos!

"Jesus bendito, minha esperança, meu desejo, meu amor, tenho uma coisa para te dizer, uma coisa a teu respeito, um assunto cheio de dor e de miséria.

Tu que és o Verbo, Unigênito do Pai que não foi gerado, tornado carne por mim, Palavra saída do coração do Pai, Palavra que Deus proferiu uma só vez (cf. Hb 9,26), Palavra pela qual «nos últimos dias» (Hb 1,2) o teu Pai celeste me falou, digna-te escutar, Tu, ó Palavra de Deus, a palavra que desejos abundantes fazem sair do meu coração!

Escuta e vê: a minha alma fica triste e toda perturbada quando me dizem cada dia: «Onde está o teu Deus?» (Sl 41,4). Não tenho nada a responder, receio que não estejas aí, não sinto a tua presença.

O meu coração arde, desejo ver o meu Senhor. Onde estão, na verdade, a minha paciência e a minha constância? És Tu o Senhor meu Deus e, eu, o que vou fazer? Procuro-te e não te encontro; desejo-te e não te vejo; corro atrás de ti e não te agarro. Qual é a minha força, para que possa suportar?Até onde posso resistir? Há alguma coisa mais triste do que a minha alma? Algo mais miserável? Algo mais provado? Acreditas, meu Amor, que a minha tristeza se mudará em alegria quando te vir (Jo 16,20)?...

«Fala, Senhor, que o teu servo escuta» (1Sm 3,9). Que eu possa escutar o que Tu dizes em mim, Senhor meu Deus. Dize à minha alma: «Sou a tua salvação!» (Sl 84,9; 34,3) Dize mais, Senhor, e fala de forma a que eu te ouça: «Meu filho, tu estás sempre comigo e tudo o que é meu é teu» (Lc 15,31). Ah! Verbo de Deus Pai! é isso que eu queria ouvir."


Hildebrando, Monge Cisterciense do século XIII
“Opúsculo Sobre a Contemplação”

domingo, 6 de novembro de 2011

Fiéis defuntos, Purgatório e Todos os Santos

Novembro começa trazendo para nós a reflexão acerca da morte e da vida eterna. O dia dos fiéis defuntos, ou “dia de finados”, nos convida a celebrarmos a esperança do encontro com Deus daqueles que já deixaram esta vida, e a recordarmos de que somos pó, e ao pó retornaremos (cf. Gênesis 3, 19). É tempo que chama à conversão.
Quando já está totalmente purificada, a alma vai ao encontro de Deus
Orando por aqueles que já partiram, para que, se estiverem no purgatório, Deus os conceda logo sua entrada no paraíso, estamos cumprindo um desejo de Deus e um dever como cristãos e batizados, que é orar pelos irmãos…
“Intensificai as vossas invocações e súplicas. Orai em toda circunstância, pelo Espírito, no qual perseverai em intensa vigília de súplica por todos os cristãos.”
(E
fésios 6, 18)

“Confessai os vossos pecados uns aos outros, e orai uns pelos outros para serdes curados.” (Tiago 5, 16a)
… vivos ou mortos, pois pertencemos a Cristo, e somos membros do Seu Corpo, nesta e na outra vida…
“Se vivemos, vivemos para o Senhor; se morremos, morremos para o Senhor. Quer vivamos quer morramos, pertencemos ao Senhor.” (Romanos 18, 14b)
“Ora, vós sois o corpo de Cristo e cada um, de sua parte, é um dos seus membros.”
(I Coríntios 12, 27)
… pois professamos isto a cada vez que rezamos “[…] Creio no Espírito Santo / Na Santa Igreja Católica / Na comunhão dos santos […]” e muitas vezes nem nos damos conta. A fé católica é sólida e nos dá a consciência de que podemos e devemos orar pelos que já partiram deste mundo, intercedendo por eles, ou pedindo sua intercessão.

Vejamos um pouco sobre a morte, o purgatório e os santos:
Almas expiam seus últimos pecados no PurgatórioAo morrer, o homem passa pelo que a Igreja chama de Juízo Particular, levando-o ao céu ou inferno, conforme a vida que tenha levado, sua conversão ou renúncia a Deus, seu arrependimento ou conivência com o pecado.
Contudo, certas almas podem ter morrido sem total estado de graça, ou restando em si certas manchas de pecado que por si só não são suficientes para atira-las ao inferno, mas são um empecilho para sua entrada imediata no céu.
Deus é justo, portanto permite que estas almas se purifiquem para que possam entrar em contato com a suprema pureza do céu. É o que chamamos de Purgatório. Cristo, através de uma comparação, dá a enter aos seus discípulos esta doutrina:
“Entra em acordo sem demora com o teu adversário, enquanto estás em caminho com ele, para que não suceda que te entregue ao juiz, e o juiz te entregue ao seu ministro e sejas posto em prisão. Em verdade te digo: dali não sairás antes de teres pago o último centavo.(Mateus 5, 25-26)
O Catecismo da Igreja Católica nos fala:
§1023 Os que morrem na graça e na amizade de Deus, e que estão totalmente purificados, vivem para sempre com Cristo. São para sempre semelhantes a Deus, porque o vêem "tal como ele é" (1Jo 3,2), face a face (1Cor 13,12):
Com nossa autoridade apostólica definimos que, segundo a disposição geral de Deus, as almas de todos os santos mortos antes da Paixão de Cristo (...) e de todos os outros fiéis mortos depois de receberem o santo Batismo de Cristo, nos quais não houve nada a purificar quando morreram, (...) ou ainda, se houve ou há algo a purificar, quando, depois de sua morte, tiverem acabado de fazê-lo, (...) antes mesmo da ressurreição em seus corpos e do juízo geral, e isto desde a ascensão do Senhor e Salvador Jesus Cristo ao céu, estiveram, estão e estarão no Céu, no Reino dos Céus e no paraíso celeste com Cristo, admitidos na sociedade dos santos anjos. Desde a paixão e a morte de Nosso Senhor Jesus Cristo, viram e vêem a essência divina com uma visão intuitiva e até face a face, sem a mediação de nenhuma criatura.

Entretanto, não devemos viver esperando pelo purgatório, nem sermos desleixados no caminho da santidade, contando com esta “entrada mais fácil” no Céu. Rezamos para Deus apressar a saída do purgatório de um ente querdio justamente porque não é fácil passar por esta purificação. As almas do purgatório sofrem não por um capricho de Deus, mas sofrem de saudade e ansiedade, pois estão tão próximos do Céu, mas ainda não o podem ter. Estas almas lamentam e se arrependem por não terem mudado e corrigido suas falhas ainda na terra, pois se o tivessem feito, já estariam com o Pai. O purgatório é uma misericórdia, uma gentileza de Deus, mas melhor que depender dela é merecer uma entrada direta no Céu.
Entendendo o Juízo Particular, precisamos diferencia-lo do Juízo Final. O Catecismo da Igreja Católica nos diz:
§1038 A ressurreição de todos os mortos, "dos justos e dos injustos" (At 24,15), antecederá o Juízo Final. Este será "a hora em que todos os que repousam nos sepulcros ouvirão sua voz e sairão: os que tiverem feito o bem, para uma ressurreição de vida; os que tiverem praticado o mal, para uma ressurreição de julgamento" (Jo 5,28-29). Então Cristo "virá em sua glória, e todos os anjos com Ele. (...) E serão reunidas em sua presença todas as nações, e Ele há de separar os homens uns dos outros, como o pastor separa as ovelhas dos cabritos, e por as ovelhas à sua direita e os cabritos à sua esquerda. (...) E irão estes para o castigo eterno, e os justos irão para a Vida Eterna" (Mt 25,31-33.46).
§1039 É diante de Cristo - que é a Verdade - que será definitivamente desvendada a verdade sobre a relação de cada homem com Deus. O Juízo Final há de revelar até as últimas conseqüências o que um tiver feito de bem ou deixado de fazer durante sua vida terrestre […]
§1040 O Juízo Final acontecerá por ocasião da volta gloriosa de Cristo. Só o Pai conhece a hora e o dia desse Juízo, só Ele decide de seu advento. Por meio de seu Filho, Jesus Cristo, Ele pronunciará então sua palavra definitiva sobre toda a história. Conheceremos então o sentido último de toda a obra da criação e de toda a economia da salvação, e compreenderemos os caminhos admiráveis pelos quais sua providência terá conduzido tudo para seu fim último. O Juízo Final revelará que a justiça de Deus triunfa de todas as injustiças cometidas por suas criaturas e que seu amor é mais forte que a morte.
Devemos estar em comunhão, como corpo de Cristo que somos, rezando uns pelos outros, e pedindo que rezem por nós, pois esta união é desejo de Deus, e é instrumento de crescimento espiritual. Deus nos concede a oportunidade, o caminho, todos os meios necessários para chegarmos a Ele, e além disso nos permite interceder e ter quem interceda por nós, aqui na terra, e pertinho dEle. Neste domingo comemoramos o dia de Todos os Santos, estes homens e mulheres que passaram pela terra, e souberam dizer não ao pecado. São nossos intercessores, pois não estão inertes lá no Céu, nem são egoístas. Querem que tenhamos a mesma recompensa que eles, querem nos ajudar para que um dia estejamos todos juntos na glória eterna. Dizia Santa Teresinha:
“Quero passar o meu céu fazendo o bem sobre a terra!”
Se o próprio Deus nos convida “Sede santos como Eu sou Santo” (I Pedro 1, 16), isso é o maior indicativo da existência dos santos, pois Deus jamais nos chamaria a algo inalcançável. Vemos ainda, em Hebreus, a menção aos santos, como pessoas que atingiram o ideal proposto por Deus: “Vós, ao contrário, vos aproximastes da montanha de Sião, da cidade do Deus vivo, da Jerusalém celestial, das miríades de anjos, da assembléia festiva dos primeiros inscritos no livro dos céus, e de Deus, juiz universal, e das almas dos justos que chegaram à perfeição […]” (Hebreus 12, 22-23). Não há porque duvidar! Admitir a existência destas almas benditas, de sua intercessão por nós, e suplicar que roguem a Deus por nossas causas não é, de maneira nenhuma coloca-los no lugar de Deus, nem diminuir sua importância.
O Apocalipse de São João vem nos confirmar a presença dos santos no céu, e seu papel de intercessores:
“Depois disso, vi uma grande multidão que ninguém podia contar, de toda nação, tribo, povo e língua: conservavam-se em pé diante do trono e diante do Cordeiro, de vestes brancas e palmas na mão, e bradavam em alta voz: A salvação é obra de nosso Deus, que está assentado no trono, e do Cordeiro.
Então um dos Anciãos falou comigo e perguntou-me: Esses, que estão revestidos de vestes brancas, quem são e de onde vêm?
Respondi-lhe: Meu Senhor, tu o sabes. E ele me disse: Esses são os sobreviventes da grande tribulação; lavaram as suas vestes e as alvejaram no sangue do Cordeiro.Por isso, estão diante do trono de Deus e o servem, dia e noite, no seu templo.”
(Apocalipse 7, 9-10.13-15a)
“Adiantou-se outro anjo e pôs-se junto ao altar, com um turíbulo de ouro na mão. Foram-lhe dados muitos perfumes, para que os oferecesse com as orações de todos os santos no altar de ouro, que está adiante do trono.
4. A fumaça dos perfumes subiu da mão do anjo com as orações dos santos, diante de Deus.”
(Apocalipse 8, 3-4)
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Muitas pessoas interpretam erroneamente a passagem de I Timóteo 2, 5 : “Porque há um só Deus e há um só mediador entre Deus e os homens: Jesus Cristo […]” insinuando que tal passagem nega a intercessão dos santos, de Maria. Analisando o contexto e as demais passagens nas quais Cristo é chamado de mediador (conferir: Hb 9, 15 ; Hb 12, 24), esta palavra não significa “intercessor”, e sim “meio, caminho”, e sempre se refere à salvação, pois se refere a Cristo como mediador da Nova Aliança, e mostra que a mediação se dá pela sua morte.
Além disso, voltando na passagem inicial, e olhando mais amplamente o texto, temos o seguinte:
“Acima de tudo, recomendo que se façam preces, orações, súplicas, ações de graças por todos os homens, pelos reis e por todos os que estão constituídos em autoridade, para que possamos viver uma vida calma e tranqüila, com toda a piedade e honestidade.
Isto é bom e agradável diante de Deus, nosso Salvador, o qual deseja que todos os homens se salvem e cheguem ao conhecimento da verdade.
Porque há um só Deus e há um só mediador entre Deus e os homens: Jesus Cristo, homem que se entregou como resgate por todos. Tal é o fato, atestado em seu tempo”

(I Timóteo 2, 1-6)
No texto, São Paulo já inicia nos convidando a intercedermos a Deus pelos irmãos. Porque razão ele iria afirmar logo abaixo que Jesus é o único intercessor? Irmãos, a bíblia quando é lida fora da interpretação correta serve mais para a desgraça do que para o bem. Quantas divisões, quantas seitas nasceram por causa de uma má interpretação dos textos bíblicos? Quantos católicos ficam confusos, perturbados, quantos são ofendidos e quantos até mesmo abandonam sua religião por causa de erros como estes?
purgatoriomissaNão tenha vergonha de sua fé! Não deixe de pedir a intercessão ao seu santo de devoção, a Nossa Senhora, ao Anjo da Guarda… não abandone as devoções populares como o santo rosário, as novenas, a oração pelas almas do purgatório… peça para que se rezem Missas para o alívio destas almas. Deus olha com bons olhos estes pequenos gestos.
O Santo Padre, o Papa Bento XVI, afirma que “[…]na pressa de viver o cotidiano, nos esquecemos que a meta da nossa existência é o encontro com Deus – uma meta que se alcança através da santidade, e, por isso, não é reservada aos poucos eleitos, e sim é o dever de cada ser humano, a cada dia”. E nos lembra: “[…]para ser santo não é preciso fazer ações e obras extraordinárias, nem possuir carismas excepcionais”. “É preciso somente servir a Jesus, escuta-lo e segui-lo sem desanimar diante das dificuldades. A santidade exige um esforço constante, mas é possível a todos, pois mais que obra do homem, é um dom de Deus”.
Louvado seja o Nosso Senhor Jesus Cristo!
Para sempre seja louvado.

domingo, 29 de agosto de 2010

Encontro de Catequistas


Os dias 28 e 29 de agosto foram de festa para os catequistas da Paróquia São José!
Nestes dias os catequistas das comunidades, capelas e Matriz se reuniram no CENAC (Centro de Aprofundamento Cristão), para estudar, aprender, trocar experiências e sanar dúvidas, à luz da Doutrina Católica, fortalecendo a fé e permitindo que a missão de dar Cristo a conhecer se torne cada dia mais eficaz
O primeiro dia de encontro foi coroado por uma Missa na Matriz São José, seguida de uma confraternização na Casa Paroquial.









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