Mostrando postagens com marcador cruz. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador cruz. Mostrar todas as postagens

sábado, 31 de março de 2012

Semana das Dores - Último Dia

Amados irmãos e irmãs, a Paz de Nosso Senhor Jesus Cristo e o Amor da Virgem Santíssima!

Encerramos hoje a nossa série de reflexões sobre as Dores da Virgem Maria.

Esperamos, sinceramente, que essas meditações tenham falado ao coração dos leitores, inspirando-vos a buscar diariamente a santidade, aceitando com coragem e resignação os sofrimentos e desafios da vida, pois, carregando nossa cruz, a exemplo de Nosso Senhor, chegaremos, um dia, à Páscoa definitiva!

Tenham todos uma abençoada Semana Santa!

Paz e Bem!

----------------------------------------------------------------
O texto a seguir foi retirado do blog A Grande Guerra.

SÉTIMA DOR: SEPULTURA DE JESUS 


1. Queixa da Mãe dolorosa 

Uma mãe, que se acha presente aos sofrimentos e à morte do filho, sente e sofre incontestavelmente todas as suas dores. Mas depois, quando o vê morto e prestes a ser sepultado, oh! então, o pensamento de deixá-lo, para nunca mais tornar a vê-lo, causa-lhe uma dor que excede todas as outras dores. Eis a sétima e última espada de dor que hoje vamos meditar. A Mãe Santíssima vira o Filho morrer na cruz, recebera-O depois de morto, e agora vê-Se obrigada a deixá-lO finalmente no sepulcro, para não mais gozar de Sua amável presença. Compreenderemos melhor esta última dor da Senhora, se subirmos ao Calvário e aí contemplarmos a desolada Mãe, ainda abraçada com o Filho morto. Então bem podia repetir com Jó: Meu Filho, mudastes-vos em cruel comigo (Jó 30, 21). Todas as Vossas belas prendas, Vossa beleza, Vossa graça, Vossas virtudes, Vossas amáveis maneiras: todos os Vossos testemunhos de especial amor, todos os singulares favores que Me dispensastes, - tudo, em outras tantas penas, se Me tem mudado. Quanto mais Vossos benefícios em Vosso amor me inflamaram, tanto mais agravam agora a perda Vossa. Ah! Filho dileto, tudo perdi em Vos perdendo! Ó verdadeiro Filho de Deus, - assim a faz queixar-se Bernardino de Busti com Pseudo-Bernardo - Vós me éreis pai, filho e esposo e vida; agora estou sem pai, sem esposo, sem filho; perdi tudo, numa palavra. 

2. Maria acompanha Jesus à sepultura 

Deste modo expandia a Mãe a Sua dor, abraçada ao Filho sem vida. Mas os santos discípulos receavam Lhes expirasse de dor a pobre Mãe, e por isso se apressam em tirar-Lhe do regaço o Filho sem vida. Fazendo-Lhe, pois, respeitosa violência, tiram-lhO dos braços, O embalsamam com aromas, envolvem-nO numa mortalha, preparada de propósito para Ele. Nela quis o Senhor deixar impressa Sua imagem, como hoje ainda se vê em Turim. 

Levam o Sagrado Corpo à sepultura. Forma-se o cortejo fúnebre e os discípulos acompanham-no, juntamente com as santas mulheres. Entre as últimas, caminha a Mãe dolorosa, levando também Ela o Filho à sepultura. Ter-se-ia a Senhora de boa mente sepultado viva com o Filho, como reza uma Sua revelação a S. Brígida. Mas, esta não sendo a divina vontade, acompanhou resignada o sacrossanto corpo de Jesus ao sepulcro, no qual, como refere Barônio, depositaram também os cravos e a coroa de espinhos. No momento de fechá-lo com a pedra, voltaram-se os discípulos para Maria com as palavras: Eia, Senhora, vai ser fechado o túmulo. Ânimo! contemplai Vosso Filho pela última vez e dai-Lhe um derradeiro adeus! Assim, pois, ó dileto Filho, - teria então dito talvez a Senhora, - assim, pois, não mais Vos tornarei a ver? Recebe com Meu último olhar o último adeus de Vossa aflita Mãe; recebe Meu coração, que deixo conVosco no sepulcro! - Era-lhe ardente o desejo de sepultar também sua alma com o Filho, observa Vulgato Fulgêncio. A pobre Virgem assim falou a S. Brígida: Na sepultura de Meu Filho estavam sepultados dois corações. - Finalmente, os discípulos tomaram a pedra e fecharam no túmulo o corpo de Jesus, aquele tesouro que não tem igual nem no céu nem na terra. 

Intercalemos aqui uma digressão. Maria deixa Seu coração sepultado com Jesus, porque Lhe é Jesus o único tesouro. "Porque onde está o vosso tesouro, aí está também o vosso coração" (Lc 12,34). E nós onde sepultaremos o nosso? Nas criaturas, talvez? no desprezível pó? Por que não em Jesus? Ainda que haja subido ao céu, quis entretanto permanecer no meio de nós no Sacramento, justamente para possuir e guardar nossos corações. Voltemos, porém, a Maria. Antes de se afastar do sepulcro, bendisse aquela pedra sagrada, como refere Boaventura Baduário: "Ó pedra feliz, que agora encerras Aquele que tive nove meses no seio, eu te bendigo e invejo. Deixo-te guardando este Meu Filho que é todo o Meu bem, todo o Meu amor". E dirigindo-Se ao Pai Eterno, rezou: Meu Pai, a Vós encomendo este Filho, que e Vosso e Meu

3. Maria despede-Se da sepultura do Filho 

Tais foram as despedidas de Maria junto ao sepulcro do Filho, de onde depois voltou a casa. Triste e aflita ia a pobre Mãe, diz Pseudo-Bernardo, despertando lágrimas em quantos A viam passar. Acrescenta também que os santos discípulos e as santas mulheres choravam mais por causa de Maria do que sobre a perda do Mestre. Quer Boaventura Baduário que as parentas de Maria a tenham velado com um lúgubre manto. Na volta - diz ele - passou a Virgem pela cruz, banhada ainda com o sangue de Seu Jesus. Foi a primeira a adorá-la com as palavras: O Cruz, eu te beijo e te adoro; agora não és mais um madeiro infame, mas o trono do amor e o altar da misericórdia, consagrado com o sangue do divino Cordeiro, sacrificado em teus braços pela salvação do mundo. 

Assim se despede da cruz e volta para casa. Aí olha em torno de Si e não vê mais o Seu Jesus. Em vez da presença de Seu querido Filho, surgem-Lhe à memória todos os quadros de Sua desapiedada morte. Recorda os abraços dados ao Filho no presépio de Belém, os colóquios durante tantos anos, os mútuos afetos, os olhares cheios de amor, e as palavras de vida eterna saídas daqueles lábios divinos. Então se Lhe apresenta ante os olhos a cena funesta daquele dia: vê os cravos, os espinhos, as carnes dilaceradas do Filho, Suas chagas tão profundas, Seus ossos tão descarnados, Sua boca assim aberta, Seus olhos assim apagados.

Ai! que noite de dores foi aquela para a Mãe de Deus! Dirigia-Se a S. João e lhe perguntava cheia de tristeza: João, onde está o teu Mestre? Perguntava depois a Madalena: Filha, dize-Me, onde está o teu dileto? Quem no-lo arrebatou? - Em prantos Se expandiam a Senhora e os que A rodeavam. E tu, minha alma, não choras? Dirige-te à Virgem Dolorosa e pede-Lhe lágrimas, como S. Boaventura: Deixa-me chorar, ó Senhora, porque sou eu o culpado e Vós sois inocente! Pede-Lhe admita que chores com Ela: Deixa que eu chore conVosco. Ela chora de amor; chora tu de dor por teus pecados. E poderás assim ter a felicidade daquele de quem se trata no seguinte exemplo. 

EXEMPLO 

Conta o Padre Engelgrave que havia certo religioso tão atormentado pelos escrúpulos, que às vezes quase se entregava ao desespero. Mas como era devotíssimo de Nossa Senhora das Dores, recorria sempre a Ela em suas angústias espirituais, e, contemplando Suas dores, se sentia confortado. Na hora de sua morte, perseguiu-o o demônio mais que nunca com os escrúpulos, induzindo-o à desesperação. Mas a piedosa Mãe, vendo Seu pobre filho tão angustiado, apareceu-lhe e disse-lhe: Filho meu, por que tanto temes e te entristeces, tu que tantas vezes Me consolaste, compadecendo-te de Minhas dores? Ânimo! Mandou-Me Jesus a consolar-te. Anda, consola-te, enche-te de alegria e vem Comigo para o céu. A essas palavras, o devoto religioso, cheio de consolação e de confiança, expirou placidamente. 

ORAÇÃO

Ó minha Mãe dolorosa, não Vos quero deixar chorando sozinha. Quero acompanhar-Vos com minhas lágrimas. Esta graça hoje Vos peço: obtende-me uma contínua memória com uma terna devoção à Paixão de Jesus e à Vossa, para que os dias que me restam de vida me não sirvam senão para chorar Vossas dores, ó minha Mãe, e as de meu Redentor. Essas Vossas dores, espero eu, na hora de minha morte, me hão de dar coragem, força e confiança para não desesperar à vista do muito que ofendi ao meu Senhor. E elas me hão de impetrar o perdão, a perseverança e o paraíso, onde espero depois alegrar-me conVosco, e cantar as misericórdias infinitas de meu Deus, por toda a eternidade. Assim o espero, assim seja. Amém. 


Ó minha Senhora, Vós roubais os corações dos homens pela Vossa suavidade. Pois então já não roubastes o meu? Ó arrebatadora dos corações, quando me restituireis o meu? Não; guardai-o conVosco e colocai-o, juntamente com o Vosso, no lado aberto de Vosso Filho. Tenho assim o que desejo, já que sois Vós a minha esperança. 

(Glórias de Maria por Santo Afonso Maria de Ligório)

sexta-feira, 30 de março de 2012

Semana das Dores - 5º Dia

Amados irmãos e irmãs, a Paz de Nosso Senhor Jesus Cristo e o Amor da Virgem Santíssima!

Estamos quase finalizando nossa semana de reflexão sobre as Dores de Maria!

Hoje meditaremos a 6ª Dor da Virgem Santíssima: A Decida da Cruz.

------------------------------------------------------------------
O texto a seguir foi retirado do blog A Grande Guerra.


SEXTA DOR: 
A LANÇADA E A DESCIDA DA CRUZ

1. Maria saúda as chagas de Jesus, como fontes de nossa salvação

Ó vós que passais pela estrada, atendei e vede, se há dor semelhante à minha dor (Jr 1,12). Almas devotas, escutai o que hoje vos diz a Mãe dolorosa: Filhas diletas, não quero que procureis consolar-Me, porque Meu coração já não pode achar consolação na terra, depois da morte de Meu caro Jesus. Se quereis dar-Me gosto, vinde e vede se houve no mundo dor semelhante à Minha, ao ver como Me arrebataram com tanta crueldade Aquele que era todo o Meu amor. Mas, Senhora, já que não buscais consolo, mas antes sofrimento, eu Vos direi que nem com a morte de Vosso Filho findaram as Vossas dores. Ainda hoje, daqui a pouco, sereis ferida dolorosamente por uma espada. Vereis uma lança cruel transpassar o lado de Vosso Filho, já sem vida. E depois tereis de receber, em Vossos braços, Seu corpo descido da cruz. 

Estamos na sexta dor da pobre Mãe de Jesus. 

Contemplemo-la com atenção e lágrimas de piedade. Até então vieram as dores cruciar Maria, uma a uma. Mas agora assaltaram-nA todas juntas. Basta dizer a uma mãe que seu filho morreu, para toda inflamá-la o amor ao filho que a deixou. Para consolo das mães atribuladas com a perda de algum filho, costumam pessoas recordar-lhes os desgostos que deles receberam. Porém eu, ó minha Rainha, se quisesse consolar-Vos pela morte de Jesus onde acharia algum desgosto dado por Ele, para vo-lo recordar? 

Ah! Ele sempre Vos amara, sempre Vos obedecera e respeitara. Agora O perdestes. Quem há que possa exprimir Vossa aflição? Exprimi-a Vós mesma, que cruelmente a sofrestes!

Morto nosso Redentor, diz um piedoso autor, acompanharam-Lhe a alma santíssima os amorosos afetos da excelsa Mãe, para apresentá-la ao Eterno Pai. Disse talvez o seguinte: "Apresento-Vos, ó meu Deus, a alma imaculada do Meu e Vosso Filho, que Vos obedeceu até a morte; recebei-a em Vossos braços. Eis satisfeita a Vossa justiça e executada a Vossa vontade; eis consumado o grande sacrifício para eterna glória Vossa". Voltando-Se depois para o corpo inanimado de Seu Jesus: " Ó chagas, disse então, chagas amáveis, congratulo-Me convosco, porque por meio de vós foi dada a salvação ao mundoPermanecereis abertas no corpo de Meu Filho, como refúgio de todos quantos recorrem a vós. Quantos por vós hão de receber o perdão de seus pecados e inflamar-se no amor do Sumo Bem! 

2. A dolorosa cena do lanceamento 

Por que não ficasse desfeita a festa do dia seguinte, sábado pascal, exigiram os judeus fosse logo retirado da cruz o corpo do Senhor. Mas como não podiam retirar o sentenciado antes de estar certamente morto, vieram alguns algozes, com pesadas clavas de ferro, e quebraram as pernas aos dois ladrões crucificados. Aproximaram-se também do corpo de Jesus. Enquanto chorava a morte de Seu Filho, vê Maria esses homens armados que se chegam a Jesus. Estremece de terror, mas logo Lhes diz: Ai! Meu Filho já está morto: deixai de ultrajá-lO ainda mais, e de ainda mais Me atormentar o pobre coração de mãe desolada! 

Pediu que não Lhe quebrassem as pernas, observa Boaventura Baduário. Mas enquanto assim falava, ó Deus! vê um soldado erguer com ímpeto a lança e com ela abrir o lado de Jesus. "Um dos soldados lhe abriu (a Jesus) o lado com uma lança, e imediatamente saiu sangue e água" (Jo 19,34). A esse golpe de lança tremeu a cruz e o Coração de Jesus foi dividido, como por revelação o soube S. Brígida. Saiu sangue e água, pois do primeiro restavam apenas essas últimas gotas. Quis o Salvador derramá-las para nos mostrar que já não tinha sangue que nos dar. Foi para Jesus a injúria desse golpe de lança, mas a dor sentiu-a a Virgem Mãe, diz Landspérgio. Querem os Santos Padres que tenha sido propriamente essa a espada predita à Virgem por Simeão. Não foi uma espada de aço, mas de dor que transpassou a Sua alma bendita, no Coração de Jesus onde sempre morava. Entre outros, diz S. Bernardo: A lança, que abriu o lado de Jesus, transpassou a alma da Virgem, que não podia separar-Se do Filho. Ao ser retirada a lança - revelou a Mãe de Deus a S. Brígida -o sangue de Meu Filho tingia-Lhe a ponta; parecia-Me nesse momento que Meu coração estava transpassado, ao ver que o do Meu Filho fora rasgado pelo golpe. E à mesma santa disse o anjo, que só por um milagre escapou Maria de morrer naquela ocasião. Nas outras dores, a Virgem tinha o Filho a seu lado, mas nem semelhante conforto lhe resta agora. 

3. A Mãe dolorosa recebe nos braços o Filho sem vida 

A atribulada Senhora receava, entretanto, que fizessem outras injúrias a Seu amado Filho. Pediu a José de Arimatéia lhe obtivesse, por isso, de Pilatos o corpo de Jesus, para que ao menos depois de morto o pudesse preservar dos ultrajes dos judeus. Foi José ter com Pilatos, expôs-lhe a dor e o desejo da aflita Mãe. Segundo o Pseudo-Anselmo, Pilatos, compadecendo-se da Mãe, Lhe concedeu o corpo do Redentor. Eis que descem o Salvador da cruz em que morrera! Ó Virgem sacrossanta, destes com tanto amor Vosso Filho ao mundo, e vede como Ele vo-lO entrega! Por Deus, exclama a Senhora, em que estado, ó mundo, Me entregas Meu amado Filho! Era Ele o Meu querido, branco e rosado (Ct 5, 10); e tu mO entregas negro pelas contusões e rubro não pela cor, mas pelas chagas de que O cobriste?! Era belo e ei-lO agora desfigurado! Encantava com Seu aspecto, mas causa horror agora a quem O vê! Quantas espadas feriram a alma dessa Mãe quando em Seus braços depuseram o Filho descido da cruz! diz um autor sob o nome de S. Boaventura. Contemplemos o indizível sofrimento de uma mãe à vista do Seu filho sem vida. 

Conforme as revelações de S. Brígida, encostaram três escadas para descerem o corpo de Jesus. Primeiro desprenderam os santos discípulos as mãos, depois os pés e entregaram os cravos a Maria, como refere Metafrastres. 

Segurando o corpo de Jesus, um por cima e outro por baixo, o desceram da cruz. 

Ergue-se a Mãe, relata Bernardino de Busti, estende os braços para o Filho, abraça-O e senta-Se aos pés da cruz. Contempla-Lhe a boca aberta e os olhos obscurecidos; examina Seu corpo rasgado pelas chagas e os ossos descobertos. Tira-Lhe a coroa, e vê que horríveis chagas os espinhos fizeram naquela sagrada cabeça. Olha finalmente as mãos e os pés transpassados pelos cravos e diz: Ah! Filho, a que extremos Vos reduziu Vosso amor pelos homens! Que mal lhes fizeste para que assim Vos maltratassem? Vós me eras pai, irmão e esposo, - fá-lA dizer Bernardino de Busti;eras minha glória, minha delícia e meu tudo. Filho, vê como estou aflita, olha-Me e consola-Me. Mas ai! não Me falas mais, porque estás morto. E dirigindo-Se aos instrumentos de martírio: Ó espinhos cruéis, ó desapiedada lança, como pudestes assim atormentar vosso Criador? Mas por que acuso os espinhos, os cravos? Ah! pecadores, fostes vós que assim maltratastes a Meu Filho! 

4. Queixas de Maria sobre os pecadores 

Assim então Maria Se queixou de nós. E se agora pudesse sofrer, que diria? Que pena sentiria, vendo que os homens, mesmo após a morte de Jesus, continuam a maltratá-lA e crucificá-lA com seus pecados? Nunca mais atormentemos, pois, essa Mãe aflita! Se pelo passado a afligimos com nossas culpas, façamos agora o que Ela nos diz. Mas que é que nos diz? "Tomai isto a sério, vós prevaricadores" (Is 46, 8). Pecadores, voltai ao ferido Coração de Jesus; arrependei-vos, que ele vos acolherá. 

Pelo abade Guerrico, nos diz ainda a Senhora: Fugi de Jesus vosso Juiz, para Jesus, vosso Salvador; fugi do tribunal para a cruz! 

A Santíssima Virgem revelou a S. Brígida que, quando desceram Seu Filho da cruz, Ela Lhe cerrou os olhos, mas não pode fechar os braços. Jesus dava-nos assim a entender que Seus braços hão de ficar sempre abertos para acolher todos os pecadores arrependidos.

Ó mundo, continua Maria, "eis que agora estás no tempo, no tempo de amor" (Ez 16, 18). Meu Filho morreu para salvar-te; já não é para ti um tempo de temor, mas de amor. É tempo de amares Aquele que tanto quis sofrer, para provar quanto te ama. O Coração de Jesus foi ferido, diz S. Boaventura, a fim de nos mostrar pela chaga visível o Seu amor invisível. E alhures o Santo faz Maria dizer: Se Meu Filho quis que Lhe fosse aberto o lado para dar-te Seu coração, é justo que Lhe dês também o teu. 

Se, portanto, quereis, ó filhos de Maria, achar lugar no Coração de Jesus, sem receio de repulsa, ide a ele juntamente com Maria, por quem alcançareis tal graça. Assim nos exorta Hubertino de Casale. 

EXEMPLO 

Na cidade de Casena, viviam dois amigos muito viciados. Um deles, Bartolomeu, apesar da má vida, tinha por costume recitar todos os dias o Stabat Mater. Recitando-o, certa vez, pareceu-lhe que, com um seu amigo, se achava dentro de uma enorme fogueira. Viu então como a Santíssima Virgem lhe estendeu a mão, a Ele, Bartomeu, para o tirar do meio das chamas e dEla recebeu o conselho de pedir perdão a Nosso Senhor. E Jesus mostrou-Se pronto a perdoar por causa da intercessão de Sua Mãe Santíssima. Mal terminara essa visão, quando vieram contar a Bartomeu que seu amigo tinha sido mortos a tiros. Viu assim o pecador que não fora puro sonho o que a imaginação lhe mostrara. Deixou por isso o mundo, e entrou para a Ordem dos Capuchinhos. No convento, levou uma vida austera e penitente, morrendo, por fim, em fama de santidade.

ORAÇÃO

Ó Virgem dolorosa, ó alma grande pelas virtudes e também pelas dores, pois que ambas nascem do grande incêndio do amor que tendes a Deus, o único objeto amado por Vosso coração. Ah! minha Mãe, tende piedade de mim, que não tenho amado a Deus e tanto O tenho ofendido. Vossas dores me enchem de grande confiança, e me fazem esperar o perdão. Mas isso não me basta; quero amar a meu Senhor. E quem me pode alcançar essa graça melhor que Vós, que sois a Mãe do belo amor? Ah! Maria, a todos consolastes; consolai também a mim. Amém.

(Glória de Maria por Santo Afonso Maria de Ligório)

quinta-feira, 29 de março de 2012

Semana das Dores - 4º Dia - Parte 2

Amados irmãos e irmãs, a Paz de Nosso Senhor Jesus Cristo e o Amor da Virgem Santíssima!

Decidimos fazer essa postagem, em caráter extraordinário, para acompanhar o ritmo da semana e não atrapalhar as reflexões próprias da Semana Santa, a se iniciar no próximo domingo, o Dos Ramos.

Meditemos também hoje, assim como foi feito na celebração realizada na Matriz São José, a Quinta Dor de Nossa Senhora: A Morte de Jesus.

Ó! Que padecimento não deve ter sofrido tal Mãe, vendo a crueldade com que os soldados que haviam ferido Seu Filho, rasgando-Lhe a carne e cobrindo-O de chagas, tornavam a fazê-lo, e agora com maior crueldade, abrindo-Lhe as mãos, os pés, e após a morte, o coração.

Tudo isto sofreu o Senhor para que, por Sua morte nos desse a vida, e o mundo fosse liberto do domínio do pecado. Acompanhando o sofrimento de Cristo, estava a Virgem Maria aos pés da cruz, sofrendo por Ele e com Ele, entregando-o ao Pai, como a oferta mais valiosa que possuía, como o verdadeiro Cordeiro, imolado uma vez e para sempre. Assim, o sofrimento da Mãe também nos tornou mais próxima a salvação e a vida eterna!

Paz e Bem!
------------------------------------------------------------
O texto a seguir foi retirado do blog A Grande Guerra.

QUINTA DOR: MORTE DE JESUS 


1. Maria assistiu à agonia de Seu Filho na cruz 

Aqui temos a contemplar uma nova espécie de martírio. Trata-se de uma Mãe condenada a ver morrer diante de Seus olhos, no meio de bárbaros tormentos, um Filho inocente e diletíssimo. "Estava em pé junto à cruz de Jesus, sua Mãe " (Jo 19,25). É desnecessário dizer outra coisa do martírio de Maria, quer com isso declarar S. João; contemplai-A junto da cruz, ao lado de Seu Filho moribundo e vede se há dor semelhante à Sua dor. 

Demoraremo-nos a considerar essa quinta espada de dor que transpassou o coração de Maria: a morte de Jesus. 

Quando nosso extenuado Redentor chegou ao alto do Calvário, despojaram-nO os algozes de Suas vestes, transpassaram-Lhe as mãos e os pés com cravos, não agudos, mas obtusos (segundo a observação de um autor), para maior aumento de Suas dores, e pregaram-nO à cruz. Tendo-O crucificado, elevaram e fixaram a cruz e O abandonaram à morte. Abandonaram-nO os algozes, mas não O abandonou Maria. Antes ficou mais perto da cruz para Lhe assistir à morte, como Ela mesma revelou a S. Brígida. 

Mas de que servia, ó Senhora minha, irdes presenciar no Calvário a morte de Vosso Filho? pergunta S. Boaventura. Não Vos deveria reter o vexame, já que o opróbrio dEle era também o Vosso, que Lhe éreis a Mãe? Pelo menos não deveria reter-Vos então o horror ao delito de criaturas que crucificavam o Seu próprio Deus? Mas, ah! o Vosso coração não cuidava então da própria, e sim da dor e da morte do Filho querido. Por isso quisestes assisti-lO e acompanhá-lO com Vossa compaixão. Ó Mãe verdadeira, diz o Vulgato Boaventura, ó Mãe amante, que nem o horror da morte pode separar do Filho amado! 

Mas, ó meu Deus, que doloroso espetáculo! Na cruz, agonizando, está o Filho e junto à cruz a Mãe agoniza também, toda compadecida das penas desse Filho. O lastimoso estado em que viu Seu Jesus moribundo na cruz, revelou-o Maria a S. Brígida, dizendo: "Estava Meu Jesus pregado ao madeiro, saturado de tormentos e agonizante. Seus olhos encovados estavam quase cerrados e extintos; os lábios pendentes e aberta a boca; as faces alongadas, afilado o nariz, triste o semblante. Pendia-lhe a cabeça sobre o peito; Seus cabelos estavam negros de sangue, o ventre unido aos rins, os braços e as pernas inteiriçados, e todo o resto do corpo coalhado de chagas e de sangue". 

Todas essas penas de Jesus eram outras tantas chagas no coração de Maria, observa o Pseudo-Jerônimo.

Aquele que então estivesse presente no Calvário, diz Arnoldo de Chartres, veria dois altares onde se consumavam dois grandes sacrifícios: um era o corpo de Jesus, outro era o coração de Maria. Mais me agradam, porém, as palavras de S. Boaventura, declarando que só havia um altar: a cruz do Filho onde a Mãe era sacrificada juntamente com o Cordeiro Divino. Por isso, pergunta-Lhe: "Ó Maria, onde estáveis? Junto à cruz? Ah! com muito maior razão digo que estáveis na mesma cruz, imolando-Vos crucificada com Vosso Filho". O Pseudo-Agostinho assevera: A cruz e os cravos feriram ambos, o Filho e a Mãe; juntamente com o primeiro foi também crucificada a segunda. O que faziam os cravos no corpo de Jesus, prossegue o Vulgato Bernardo, operava o amor no coração de Maria. De modo que, enquanto o Filho sacrificava o corpo, a Mãe sacrificava a alma, como se expressa S. Bernardino.

2. Maria não pode aliviar as penas de Seu Filho

Fogem as mães da presença dos filhos moribundos. 

Quando, porém, uma mãe é obrigada a assistir um filho em agonia, procura dar-lhe todo alívio possível. Ajeita-o na cama, para que fique mais a gosto, e dá-lhe algum refresco. Desse modo a pobrezinha vai disfarçando sua dor. Ah! Mãe de todas a mais aflita! ó Maria, a Vós é imposto assistir Jesus moribundo, mas não Vos é facultado procurar-Lhe alívio algum. 

Maria ouve o Filho dizer que tem sede, sem que Lhe seja permitido dar-Lhe um pouco de água para dessedentá-lO. Pode dizer-Lhe apenas, conforme as palavras de S. Vicente Ferrer: Meu Filho, tenho tão somente a água de minhas lágrimas. Vê como Seu pobre Jesus, pregado àquele leito de dores por três cravos de ferro, não podia achar repouso. Queria abraçá-lO para consolá-lO, e para que ao menos expirasse em Seus braços, mas não o podia fazer. Nota que Seu Filho, mergulhado num mar de angústias, procura quem O conforte, segundo a predição de Isaías: Eu calquei o lagar sozinho... Eu olhei em roda e não havia auxiliar; busquei e não houve quem me ajudasse (63, 3 e 5). Mas que consolação podia Ele achar entre os homens, se todos Lhe eram inimigos? Mesmo pregado na cruz, uns blasfemavam dEle e outros O escarneciam: E os que iam passando blasfemavam dele (Mt 27, 39). Outros Lhe diziam no rosto: Se és Filho de Deus, desce da cruz (27, 40). Desafiavam-nO alguns: Salvou a todos e a si mesmo não se pode salvar... Se é o rei de Israel, desça agora da cruz (27, 42). 

Além disso, a Santíssima Virgem revelou a S. Brígida: "Ouvi alguns dizerem do Meu Filho que era um ladrão; outros, que era um impostor; outros, que ninguém merecia tanto a morte como Ele. Esses insultos eram para Mim espadas de dor". 

O que mais aumentou, contudo, a dor de Maria, na Sua compaixão para com o Filho, foi ouvir-Lhe a queixa: Meu Deus, meu Deus, por que me desamparastes? (Mt 27, 46). Palavras foram essas que nunca mais Me saíram da mente, disse a divina Mãe a S. Brígida. Assim a aflita Mãe via Jesus atormentado por todos os lados. Queria aliviá-lO e não podia fazê-lo. Maior era ainda o sofrimento, ao ver que com Sua presença aumentava a pena do Filho. Daí, pois, a frase do Vulgato Bernardo: "A plenitude das dores do coração de Maria derramou-se como uma torrente no Coração de Jesus. Sim, Jesus na cruz sofria mais pela compaixão de Sua Mãe, que por Suas próprias dores. Junto a cruz estava a Mãe, muda de dor; vivia morrendo, sem poder morrer".

Jesus Cristo, assim refere Passino, revelou à Bem-aventurada Batista Varano de Camerino, que nada O fez sofrer tanto como a comiseração de Sua Mãe ao pé da cruz, e que por isso morreu sem consolação. E conhecendo a bem-aventurada, por uma luz sobrenatural essa dor de Jesus, exclamou: Senhor, não me faleis dessa Vossa pena, que eu não posso mais! 

3. Maria ao pé da cruz. é nossa Mãe espiritual 

Pasmavam as pessoas que então consideravam essa Mãe, diz Simeão Fidato de Cássia, por verem-nA quedar-Se silenciosa, sem uma queixa ou lamento, no meio de tamanha dor. Mas, se os lábios guardavam silêncio, não o guardava contudo o coração. Pois a Virgem não cessava de oferecer à Divina Justiça a vida do Filho pela nossa salvação. Por aí vemos o quanto cooperava pelos Seus sofrimentos para fazer-nos nascer à vida da graça. E se nesse mar de mágoas, que era o coração de Maria, entrou algum alívio, então este único consolo foi certamente o animador pensamento de que, por Suas dores, cooperava para nossa eterna salvação. O próprio Salvador revelou a Santa Brígida: Minha Mãe tornou-Se Mãe de todos no céu e na terra, por Sua compaixão e Seu amor. Com efeito, outro sentido não tinham as palavras com que Jesus Se despediu de Sua Mãe. Como derradeira lembrança deu-nos a Ela por filhos, na pessoa de S. João: Mulher, eis o teu filho (Jo 19,26). Começou desde então a Senhora a exercer para conosco esse ofício de mãe estremecida. 

Atesta S. Pedro Damião (assinala-o Salmeron) que estando por isso Maria entre a cruz do Filho e do bom ladrão, por Suas preces converteu e salvou este último. Assim o recompensou por serviços prestados outrora, quando a Sagrada Família procurava o Egito. Nessa ocasião mostrara-se o bom ladrão prestimoso e afável, conforme contam vários autores. E a Santíssima Virgem continua e continuará sempre a exercer este ofício de Mãe desvelada. 

EXEMPLO 

O Venerável Joaquim Piccolomini, um fervoroso servo de Maria, já em criança, costumava visitar três vezes ao dia uma imagem de Nossa Senhora das Dores. Aos sábados, jejuava em honra da Virgem. Fazia mais. Levantava-se no meio da noite, para meditar sobre as dores de sua Mãe celeste. Vejamos como Maria recompensou o seu servo. Joaquim era ainda moço quando Ela lhe apareceu e o fez entrar na Ordem dos Servitas. 

Outra vez lhe apareceu pelos últimos anos da vida, tendo nas mãos duas coroas. Uma era de rubis como prêmio pela compaixão com os sofrimentos dEla; era de pérolas a outra, em recompensa da virgindade guardada por Joaquim. Pela terceira vez veio vê-lo à hora da morte. O Venerável pediu-Lhe a graça de morrer na Sexta-feira Santa. Ao que a Virgem o consolou, dizendo: Eia, pois, prepara-te; amanhã é Sexta-feira Santa e morrerás, como desejas, indo comigo ao céu. E assim de fato aconteceu. Quando se cantava na igreja a Paixão do Senhor, entrou Joaquim em agonia. E às palavras "Inclinando a cabeça (Jesus) morreu" o Venerável entregou sua alma a Deus. No mesmo instante espalhou-se pela igreja um vivo fulgor e suave fragrância. 

ORAÇÃO

Ó aflitíssima entre todas as mães, morreu, pois Vosso Filho tão amável e que tanto Vos ama. Chorai, que bem razão tendes para chorar. Quem poderia Vos consolar jamais? Só pode dar-Vos algum lenitivo o pensar que Jesus com Sua morte venceu o inferno, abriu aos homens o paraíso, que lhes estava fechado, e fez a conquista de tantas almas. Do trono da cruz Ele reinará sobre tantos corações que, pelo amor vencidos, O servirão com amor.

Dignai-Vos, entretanto, ó minha Mãe, consentir que me conserve a Vossos pés, chorando conVosco, já que eu, pelos meus grandes pecados, tenho mais razão de chorar que Vós. Ah! Mãe de Misericórdia, em primeiro lugar pela morte de meu Redentor, e depois pelo merecimento de Vossas dores, espero o perdão e a salvação eterna. Amém.

(Glórias de Maria por Santo Afonso Maria de Ligório)

quarta-feira, 14 de setembro de 2011

Dia 14/09 é comemorada a Exaltação da Santa Cruz, rememorando a exposição da Santa Cruz, após ter sido roubada pelos persas do Imperador Constantino (cuja mãe, Santa Helena, havia descoberto não só os locais da crucifixão e sepultamento de Cristo, mas a própria Cruz), e resgatada pelo Imperador Heráclio.

Exaltamos a Santa Cruz, pela sua ligação aos Preciosíssimos Corpo e Sangue de Nosso Senhor Jesus Cristo, e por ser elemento essencial na redenção do gênero humano. Nela, Cristo venceu a morte, e abriu para todos os que aceitam suas próprias cruzes, a porta do Céu.

É para nós a cruz um sinal de vitória, um convite à imitação de Cristo. É a Verdade materializada: viver aqui é a experimentar a  renúncia, é sofrer como Cristo sofreu, e é a certeza da vitória.



Belíssimo Esposo - Comunidade Shalom