sábado, 1 de outubro de 2011

Santa Teresinha do Menino Jesus e da Sagrada Face

Santa Teresinha

Marie Françoise Thérèse Martin (Maria Francisca Teresa Martin) ou, como nós conhecemos, Santa Teresinha, nasceu em Alençon, na França, em 2 de janeiro de 1873, sendo a filha caçula do casal Louis (Luiz) e Zélie (Zélia) Martin.

Sua vida foi toda de entrega à bondade e misericórdia de Deus. Foi uma constante negação de si mesma, e abandono à Divina Providência. Exemplo de humildade, obediência, fé, persistência e amor. É uma das santas mais populares, e é considerada a “maior santa dos tempos modernos”[1].

Mas, o que a fez ser chamada de “a maior”? É simples: fez-se a menor, tal qual Jesus Cristo, o Esposo de sua alma. Fez de sua vida um ato de amor. Teresa não se achava capaz de ser como os grandes santos e seus feitos heroicos, portanto decidiu apenas se entregar nos braços do Pai, e dEle tudo esperar, pois, sendo pequena como uma criancinha, nada conseguiria sem a ajuda do Pai, e nenhuma queda seria grande o suficiente para machuca-la muito. Descobriu seu atalho, seu caminho direto e curto para chegar a Deus: a Pequena Via, ou Doutrina da Infância Espiritual. Tal doutrina lhe rendeu, no ano de 1997, pelo agora Beato, Papa João Paulo II, o título de Doutora da Igreja.

stateresinha

Teresinha foi uma criança de saúde frágil, de temperamento difícil, mas muito amada e extremamente bem educada. Sua santidade se deve, além da graça e misericórdia de Deus, aos ensinamentos que desde o berço recebeu de seus pais. “O bom Deus me deu um pai e uma mãe mais dignos do céu que da terra”, escreveu a santa. Em 31 de outubro de 2008, os pais de Santa Teresinha foram beatificados, confirmando-os como modelo para todas as famílias.

É perceptível que a fé e a santidade de Teresa refletem sua criação, e a própria fé de seus pais. A análise da vida e dos escritos dos pais de Teresinha nos permite encontrar muitos pontos em comum, com a doutrina que a santinha escreveria anos mais tarde, a mando de suas superioras, no Carmelo. Escreve Zélia Martin: “Meu Deus, dou-vos o meu coração, tomai-o, eu vos peço, a fim de que nenhuma criatura o possua a não ser Vós só, meu bom Jesus”. O mesmo espírito de entrega total a Deus pode ser visto em seu bilhete de profissão, às vésperas de se entregar a Deus como religiosa:

Oh Jesus meu Divino Esposo,
Meu Amor, meu Amor
Que eu nunca procure
E nunca encontre senão a Ti.
Que as criaturas não sejam
Nada para mim,
E que eu nada seja para elas,
Mas que Tu, Jesus, sejas tudo, tudo…
Que as coisas da terra jamais
Consigam perturbar minh'alma,
E que ninguém perturbe
Minha paz!
Oh, Jesus só te peço a paz
E também o Amor, o Amor.
O Amor infinito
Sem outro limite além de Ti.
O Amor que não seja eu mas
Sejas Tu, meu Jesus, meu Jesus!
Jesus que por Ti eu morra mártir: o martírio do coração
Ou do corpo, ou antes os dois!
Oh Jesus, meu Divino Esposo, faz-me compreender o que deve ser uma Esposa Tua...

Escute este texto, clicando aqui.

Teresinha sentiu desde muito cedo o chamado de Deus à vida consagrada, assim como todas as suas irmãs. Conseguiu entrar no Carmelo de Lisieux aos 15 anos de idade, depois de oração e luta, pois era considerada muito jovem para tal. Foi até ao Papa Leão XIII, em audiência, para pedir sua entrada na ordem carmelita. Mais tarde, seu pedido foi concedido, mas a santa teve que esperara alguns meses, entrando no Carmelo após a quaresma. Se tornou religiosa no ano de 1890, adotando o nome Thérèse de l'Enfant Jesus et de la Sainte Face (Teresa do Menino Jesus e da Santa Face), explicitando sua devoção pelos mistérios da encarnação e paixão de Nosso Senhor Jesus Cristo. Enclausurada, experimentou a mortificação, o silêncio, a pequenez, e a descoberta da santidade. Sem sair do convento, é chamada hoje de Padroeira das Missões, pois tinha um desejo de ser missionária, mas não o podendo ser, oferecia seus sacrifícios diários pelas missões. Era tão pequenina, tão escondida e desapegada, que em seu leito de morte, uma irmã dizia:
"O que se poderá na realidade dizer da irmã Teresa do Menino Jesus após sua morte? É uma boa irmãzinha, mas ela nada fez. […]Ela nada fez de notável, não se a vê praticar a virtude, não se pode sequer dizer que seja uma boa religiosa". Em pouquíssimo tempo, esta “boa irmãzinha” teve sua autobiografia (A História de Uma Alma) difundida por diversas partes do mundo. Sua doutrina da pequenez espiritual foi tocando os corações. Ela, que “nada fez de notável”, se tornou beata, santa, e cem anos mais tarde, Doutora da Igreja.

A santinha faleceu em 30 de setembro de 1897, aos 24 anos, de tuberculose. Sofreu muito, tendo suas funções respiratórias sendo diminuídas drasticamente por conta da doença. Nos últimos dias, não podia nem tomar a santa comunhão, tão grave era seu estado. Faleceu chamando a Jesus.

Seus restos mortais foram transladados do cemitério de Lisieux para o Carmelo, por ocasião de sua beatificação.

Translado dos restos mortais de Santa Teresinha

Urna do BrasilA devoção por Santa Teresinha se estendeu rapidamente. No Brasil, foi erguido um dos primeiros templos dedicados à Santa, senão o primeiro (Igreja de Santa Teresinha, bairro da Tijuca, Rio de Janeiro). Nosso país também deu um presente à Santa: A "châsse du Brésil", ou “Sanctuaire du Brésil” (urna, santuário do Brasil), que é um relicário, foi feito com doações arrecadadas em diversas paróquias do Brasil. Esta urna contém ossos da Santa, que percorrem o mundo todo, tendo inclusive passado pelo Brasil.

Para ver as legendas das imagens, pouse o mouse sobre elas, e aguarde.

Zélia e Luíz Martin, Pais de Santa Teresinha Teresinha, aos 3 anos Teresinha, em ilustração de sua irmã Celina, por ocasião de sua primeira comunhão Celina e Teresinha, aos 8 anos Teresinha, aos 13 anos Teresinha, aos 15 anos, com o famoso penteado para parecer mais velha, por ocasião da visita ao bispo, a fim de obter permissão para ingressar no Carmelo Teresinha, como Noviça, abraçada ao crucifixo central do Carmelo de Lisieux Teresinha, suas irmãs e a Madre Superiora Com as irmãs do Carmelo Com as irmãs do Carmelo 

Teresinha, como Joana D'Arc, em um teatro no Carmelo Celina e Teresa; teatro sobre Joana D'Arc Teresa, como Joana D'Arc

Teresa, aos 22 anos Teresa, aos 22 anosTeresa, aos 23 anos Teresa, aos 23 anos 
Teresinha, doente, na infermaria do Carmelo Teresinha, com tuberculose, que a levaria a falecer, aos 24 anos

Teresinha, no seu funeral Ao fundo, altar em Lisieux com seus restos mortais, e à frente, a Urna do Brasil, contendo relíquias da Santa

Thérèse de l'Enfant Jesus de la Sainte Face
Assinatura da Santa, em francês. (Ir. Teresa do Menino Jesus da Stª Face)

Aqui estão disponíveis alguns escritos da Santa, bem como sobre seus pais.

A História de Uma Alma
O Pai de Santa Teresinha
A Mãe de Santa Teresinha [1] [2] [3]

[1]São Pio X, em 15 de março de 1907, in Guy Gaucher, op. cit. p. 225

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